Blog / 19 de outubro de 2026

Escaras em idoso acamado: como evitar lesão por pressão em casa

Conteúdo revisado por Marina Predes Rauen Mascaro, Responsável Técnica de Enfermagem (COREN-SP 449.454) · atualizado em 13 de outubro de 2026

Dois cuidadores ajeitam o lençol e o travesseiro de um senhor idoso deitado na cama de casa, com a luz da janela entrando no quarto.

Se a sua mãe ou o seu pai passou a ficar na cama o dia inteiro, a pergunta que vale fazer hoje é simples: quem olhou a pele hoje? Escara é o nome popular da lesão por pressão, a ferida que abre na pele de quem passa muitas horas na mesma posição, e ela se evita em casa com uma rotina constante: mudar a posição em horários combinados, olhar a pele inteira todos os dias, manter o calcanhar fora do colchão, cuidar da pele limpa, seca e hidratada e sustentar comida e água. A Anvisa afirma, com evidência desde o fim dos anos 1980, que a maioria das lesões por pressão é evitável. O que vem abaixo é cada um desses cuidados, do jeito que a enfermeira explicaria na beira da cama, e o sinal que pede ligação no mesmo dia.

## O que é uma escara e por que ela aparece tão rápido? A lesão por pressão é um dano na pele ou no tecido logo abaixo dela, causado pelo peso do próprio corpo contra o colchão ou a cadeira, muitas vezes somado ao atrito de escorregar na cama. Ela aparece onde o osso fica perto da pele: a região do sacro (a base das costas), os calcanhares, o quadril de quem fica de lado, a parte de trás da cabeça, os joelhos e os cotovelos. O risco é maior em quem não consegue se mexer sozinho, está mais magro, usa fralda ou tem algum dispositivo encostado na pele, como sonda ou tala. A primeira marca costuma ser uma mancha vermelha que não some quando você alivia o peso dali. Quem está deitado nem sempre avisa: tem quem não perceba a marca chegando e tem quem sinta pudor de pedir que olhem as costas ou troquem a fralda. Por isso o olhar é de quem cuida, e o jeito de olhar conta: avise antes, diga o que vai fazer e cubra o que não precisa ficar exposto.

## Como evitar escaras em casa: a rotina de cinco cuidados 1. Mude a posição em horário combinado. O intervalo é individual e quem o define é a enfermagem, olhando a tolerância da pele, a condição clínica e o conforto. A referência prática dos serviços de saúde é não passar de duas horas na mesma posição. Alterne costas, lado direito e lado esquerdo; de lado, use travesseiro para a pessoa ficar inclinada a cerca de 30 graus, sem descarregar o peso direto no quadril. Sentar fora da cama faz bem, por períodos de cerca de uma hora. De madrugada, a virada acorda quem dorme: avise, faça devagar e pergunte de que lado ela prefere ficar, porque a troca é mais fácil quando a pessoa participa. Anote os horários numa folha na parede do quarto: quem chega para o turno seguinte precisa saber qual foi a última posição. 2. Olhe a pele inteira todos os dias. Sacro, calcanhares, quadril, cabeça, joelhos e cotovelos, e duas vezes por dia onde há fralda, sonda ou tala. Explique o que está fazendo enquanto olha; ninguém gosta de ser examinado em silêncio. Em pele negra, a vermelhidão inicial pode não aparecer: compare temperatura, sensibilidade e se a área está mais endurecida que a pele ao redor. 3. Deixe o calcanhar livre. Um travesseiro sob a panturrilha, com o pé sem tocar o colchão, distribui o peso da perna. É a medida mais simples da lista e uma das mais esquecidas. 4. Pele limpa, seca e hidratada. Troque a fralda e limpe a pele logo depois de urina ou fezes, com sabonete suave, e aplique hidratante uma vez por dia nas áreas sem lesão, sem massagear onde o osso fica perto da pele nem onde já há vermelhidão. Em quem usa fralda, a enfermagem pode indicar um creme de barreira. 5. Comida e água. Quem está acamado come menos, e a pele precisa de proteína e líquido para se manter íntegra. Toda pessoa em risco deveria passar por uma triagem nutricional, e é isso que a nota técnica pede; em casa, isso começa por observar se o prato e o copo estão voltando cheios e por perguntar o que ela ainda tem vontade de comer.

## Qual sinal pede a enfermagem no mesmo dia? Uma mancha vermelha (ou, em pele escura, uma área mais quente, endurecida ou com cor diferente) que não some depois que você tira o peso dali. Esse é o primeiro estágio da lesão por pressão, e é o momento em que o cuidado ainda é só preventivo: mudar a posição com mais frequência, proteger a área e rever o colchão. Bolha, pele rompida ou ferida com fundo visível já exigem avaliação profissional, não pomada por conta própria. Sobre colchão: o viscoelástico e o de ar de pressão alternada são os indicados para quem está em risco, mas a escolha depende da mobilidade, do peso e de lesões já existentes, e nenhum deles dispensa a troca de posição.

## Perguntas frequentes O colchão de ar substitui a mudança de posição? Não. Colchão especial e troca de posição são medidas separadas na prevenção, e as duas continuam valendo. Posso massagear o local vermelho para ativar a circulação? Não. Hidrate a pele todos os dias, mas sem massagear os ossos salientes nem as áreas avermelhadas; a Anvisa é explícita nisso. A fralda causa escara? A umidade e o contato prolongado com urina ou fezes aumentam o risco. Troca rápida, limpeza suave, produto de alta absorção e creme de barreira indicado pela enfermagem reduzem esse risco. Quem define o intervalo da troca de posição? A enfermagem, por prescrição, a partir da avaliação de risco da pessoa. O Ministério da Saúde lista a mudança de decúbito entre as tarefas do cuidador, feitas com orientação da equipe de saúde.

Na Aurora, a avaliação de enfermagem de quem está acamado inclui o risco da pele, um cronograma de posição por escrito no quarto e a orientação de quem cuida sobre o que olhar todos os dias e quando ligar. Conteúdo educativo e não substitui a avaliação de um profissional de saúde. Se a pessoa que você cuida está acamada e ninguém ainda olhou a pele com esse olhar, agende uma avaliação gratuita com a nossa equipe de enfermagem em https://www.auroraconcierge.com.br/contato Fontes: Anvisa, Nota Técnica GVIMS/GGTES nº 05/2023, Práticas de Segurança do Paciente em Serviços de Saúde: Prevenção de Lesão por Pressão (https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/notas-tecnicas/notas-tecnicas-vigentes/nota-tecnica-gvims-ggtes-anvisa-no-05-2023-praticas-de-seguranca-do-paciente-em-servicos-de-saude-prevencao-de-lesao-por-pressao). HU-UFGD/Ebserh, Enfermeira fala sobre a prevenção de lesões por pressão, 2017 (https://www.gov.br/hubrasil/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-centro-oeste/hu-ufgd/comunicacao/noticias/enfermeira-fala-sobre-a-prevencao-de-lesoes-por-pressao). Ministério da Saúde, Caderno de Atenção Domiciliar, volume 1, 2012 (https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/melhor-em-casa/publicacoes/caderno-de-atencao-domiciliar-vol-1.pdf).

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